quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Retalhos históricos: a chacina da Praça da Bandeira em Campina Grande


Um dos momentos mais dramáticos de Campina Grande foi à chacina da Praça da Bandeira, em 9 de Julho de 1950. O clima de acirramento político em Campina Grande comumente nos anos de campanha eleitoral está intrínseco no DNA de cada cidadão.

A bipolarização de correntes ideológicas emCampina Grande promoveu a maior tragédia já registrada em termos políticos até hoje.

Campina Grande receberia figuras ilustres da política local para inauguração do suntuoso novo prédio dos Correios e Telégrafos (o atual), em plena campanha eleitoral, em um “showmício” com palanque montado na Praça da Bandeira.

Tudo começou ainda à luz do dia, quando entusiastas e correligionários da UDN (União Democrática Nacional), liderada por Argemiro de Figueiredo iniciaram uma passeata pelas ruas campinenses a partir da entrada da cidade, em Santa Terezinha.

A marcha coletiva percorreu a partir da Avenida Paulo de Frontin várias ruas até a Praça da Bandeira, local onde se realizara uma das maiores concentrações políticas de Campina Grande em toda sua história.

Segundo Josué Silvestre era uma inspirada de belos e aplaudidos discursos: Joacil de Brito, Ivandro Cunha Lima, Álvaro Gaudêncio, Hiaty Leal, Ernani Sátiro, João Agripino e finalmente (...). Argemiro de Figueiredo. O fato peculiar fora o fechamento do evento político com a apresentação de vários artistas da música popular, consagrados nacionalmente, como Emilinha Borba e Luiz Gonzaga, conceituados artistas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Como não podia ser diferente, ao final do espetáculo, a multidão dispersa, aglomera-se em pequenos grupos ao longo do epicentro da festa, encontrando pelo caminho grupos políticos rivais que se reuniam em outros pequenos grupos que já demonstravam clima de confronto.

Estes pequenos grupos de pressão assumiram o tom de provocação e formaram espontaneamente, um novomovimento que percorreu as ruas centrais da cidade, em forma de passeata, onde apenas as vozes ardorosas dosentusiastas deram força aos partícipes. Após circular estas vias, o movimento retornou à Praça da Bandeira onde, os líderes da passeata invadiram o palanque montado para o comício da oposição, ainda decorado com os motivosUdenistas.

Diante do tamanho atrevimento, começaram os discursos fervorosos onde, não muito tempo depois, inicia-se a desordem, seguidos de pancadaria ao som de disparos de arma de fogo.

Uma pancadariageneralizada se instalou na Praça da Bandeira, com a participação popular e da polícia militar; em poucos minutos de contenda fora registrado um saldo de 3 mortos e cerca de 20 feridos com escoriações leves.

As vítimas fatais foram o bancário Rubem de Souza Costa espancado por policiais; o mecânico José Ferreira dos Santos; e Oscar Coutinho, mecânico da empresa pernambucana que instalava os elevadores do prédio dos Correios.

Politicamente incendiada com as candidaturas de José Américo de Almeida e Argemiro de Figueiredo ao governo do Estado, após o que aconteceu, a cidade se cobriu de luto. Jornalistas de João Pessoa e Recife chegaram à cidade para repercutir o fato.

Durante mais de duas semanas, depois da chacina, não houve mais comícios. Finalmente apuradas as urnas de 3 de outubro de 1950, José Américo de Almeida foi eleito governador do Estado, superando Argemiro de Figueiredo em Campina Grande por uma diferença de 4.478 votos.

Por Geraldo Vital

Um comentário :

  1. FONTE UTILIZADA:

    Blog Retalhos Históricos de Campina Grande

    http://cgretalhos.blogspot.com.br/2010/07/memoria-60-anos-da-chacina-da-praca-da.html

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