quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cientistas criam microcérebros com células-tronco para estudar doenças

Imagem de um microcérebro criado pelos cientisas (Foto: Madeline A. Lancaster/Nature)
Cientistas europeus desenvolveram pequenos cérebros humanos tridimensionais, de 4 milímetros de diâmetro, a partir de células-tronco pluripotentes que ajudarão a aprofundar o estudo de doenças neurológicas, divulgou nesta quarta-feira (28) a revista científica "Nature".
Os órgãos artificiais são fruto de uma pesquisa conjunta da Universidade de Bonn (Alemanha) e do Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena (Áustria).
A complexidade do cérebro humano sempre foi uma barreira para o avanço na pesquisa das doenças neurológicas, por isso era "necessário um sistema celular que simulasse as complexas características do órgão para estudá-lo em profundidade", explicou o alemão Jürgen Knoblich, chefe do projeto.
"Esta abordagem pode superar algumas das limitações que encontramos quando realizamos experimentos com o cérebro de animais, pois eles não compartilham as mesmas peculiaridades do cérebro humano', acrescentou.
Estes microcérebros, que incluem a crosta cerebral que cobre os dois hemisférios, são formados por diferentes tecidos dispostos em camadas, e a organização guarda muitas semelhanças com a de um cérebro nos períodos mais avançados de desenvolvimento.
Para demonstrar a utilidade deste sistema celular, os cientistas analisaram diferentes doenças neurológicas que acontecem quando o cérebro se encontra em pleno desenvolvimento, como a microcefalia. Este transtorno neurológico, que não tem tratamento, faz com que o tamanho da cabeça das pessoas afetadas seja consideravelmente menor que o padrão em relação a idade e sexo.
A partir de células-tronco pluripotentes, a equipe acrescentou ao sistema inicial uma série de células de pacientes com microcefalia para obter um cérebro característico de uma pessoa com a doença.
Os cientistas perceberam que nos cérebros com esta doença as células precursoras dos neurônios deixavam de proliferar cedo demais, um defeito que poderia explicar algumas das causas da microcefalia.
"Este fenômeno não acontece da mesma forma quando experimentamos com ratos, já que nenhum animal apresenta a expansão neuronal que o ser humano tem", concluiu Knoblich.
Estes pequenos órgãos artificiais não apresentam as funções mentais de um cérebro humano normal, apesar de o grupo de cientistas não descartar progredir nesse sentido, e também se aprofundar em outros tipos de doenças neurológicas.

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